O movimento que iria gerar no futuro o Núcleo Psicanalítico de Belo Horizonte (NPBH), e que hoje é o Grupo de Estudos Psicanalíticos de Minas Gerais (GEPMG), nasceu da persistência do Dr. Sebastião Abrão Salim, médico psiquiatra, professor da Faculdade de Medicina da UFMG, interessado em psicanálise, e de seu desejo em ser psicanalista.
Durante anos, Salim ministrou cursos de psicoterapia psicanalítica, introduziu a psicanálise no Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da UFMG, com grupos de discussão de casos, e supervisões individuais e coletivas. Iniciou sua formação na Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo (sede Brasília), vindo a completá-la na SPRJ - Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro, e nunca deixou de acalentar o sonho de fundar em Belo Horizonte uma instituição filiada à IPA.
A oportunidade surgiu quando em 1988 convidou o Dr. Sérgio Kehdy, que havia terminado a sua formação psicanalítica na SPRJ, para se mudar para Belo Horizonte. O Dr. Sérgio chegou na condição de Membro Associado, e os dois começaram a trabalhar no sentido de criar um Núcleo da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro. Durante cinco anos, tempo necessário para que conseguissem as promoções necessárias para se titularem como Analistas Didatas, organizaram cursos, promoveram eventos, além de manterem contatos freqüentes com a SPRJ, com o objetivo de sensibilizarem seus membros sobre a importância de colocar Belo Horizonte no circuito da Psicanálise como a entendiam.
Nesse período contaram com a colaboração de dois colegas que muito ajudaram. Foram eles: Jannê de Oliveira Campos, que promoveu, por conta própria, vários eventos para os quais convidava analistas ligados à IPA, que vindo a Belo Horizonte, mostravam uma forma de trabalhar diferente, e divulgavam a idéia da criação de um Núcleo de Formação; e o Dr. Flávio José de Lima Neves, influente analista local, que abraçou a causa e divulgou, em seus concorridos cursos, a idéia de uma formação nos moldes da IPA, o que trouxe uma grande parte das pessoas que constituíram a primeira e a segunda turmas do NPBH.
A idéia de um Núcleo em Belo Horizonte foi assumida por alguns analistas importantes da SPRJ, merecendo destaque: a Dra. Maria da Paz Manhães, uma das fundadoras da SPRJ, e que doou para o NPBH parte de sua biblioteca, com obras raras e fundamentais da Teoria Psicanalítica, biblioteca que hoje leva o seu nome; e o Dr. Victor Manoel Andrade, que tomou a frente, e não se poupou para conseguir oficializar o Núcleo. Importante também foi a participação da Dra. Edna Pereira Vilete, que vinha mensalmente a Belo Horizonte para coordenar cursos, e que muito ajudou a sedimentar o desejo das pessoas por uma formação.
Nesse período, mudou-se para Belo Horizonte, a Dra. Clemilda Barbosa de Souza, analista didata da SPRJ, e que por insistência do Dr. Sérgio Kehdy, se juntou ao grupo, passando a se dedicar à criação do NPBH.
Agora, com três didatas, tornava-se possível conseguir o patrocínio científico da SPRJ para que se iniciasse um pólo de formação psicanalítica em Minas Gerais, segundo os padrões da International Psychoanalytical Association, tendo sido constituído o Núcleo Psicanalítico de Belo Horizonte em março de 1993. Sua primeira diretoria foi formada por Sebastião Abrão Salim (Presidente), Sérgio Kehdy (Secretário) e Clemilda Barbosa de Souza (Tesoureira).
A primeira turma era composta por doze candidatos. Alguns deles não chegaram ao final da formação, mas a maioria permaneceu. Hoje são psicanalistas, e concluíram seus seminários clínico-teóricos em 1997. Iniciaram a primeira turma: Adelaide Rocha Silva, Alcy Cabral Souza de Gouvêa, Adriana de Fátima dos Santos Meira, Eliane de Andrade, Helena Campos Lamassa, Jannê de Oliveira Campos, Maria Cristina Dias, Márcio Henrique Salim, Marília Macedo Botinha, Reginaldo Henrique dos Santos, Rosália Lage Martins Bicalho, Rossana Nicoliello Pinho e Simone Facure Lopes.
Em julho de 2000 iniciaram-se os seminários da segunda turma do NPBH, composta de seis candidatos, e sua conclusão deu-se em julho de 2005. Esta turma era formada por: Lélio Márcio Dias, Maria Letícia Capanema (falecida em 2003, durante a formação), Marise Maria de Souza, Roberval da Neves Chaves, Paula Linhares de Andrade e Thereza Cristina Paione Rezende.
A formação psicanalítica do NPBH era ministrada pelo Instituto de Ensino da Psicanálise da SPRJ, segundo seus padrões, dentro das exigências da IPA, através da vinda de seus docentes a Belo Horizonte para coordenar seminários às turmas de formação. As análises didáticas eram feitas com os analistas didatas aqui residentes, e as supervisões, em parte com os mesmos, e em parte com os didatas do Rio de Janeiro. A partir de 2001, os membros docentes do ainda NPBH passaram a dividir com os docentes da SPRJ, os seminários teóricos e clínicos. Durante sua trajetória, o NPBH contou com três comissões coordenadoras instituídas pela SPRJ. A primeira comissão foi coordenada pelo Dr. Victor Manoel Andrade; a segunda pelo Dr. Jaques Vieira Engel, e a terceira pela Dra. Maria Eliana Mello Helsinger, que contaram com a colaboração de outros membros docentes da SPRJ na avaliação dos trabalhos dos candidatos do NPBH.
Em 1997, dois outros analistas com formação da SBPSP, Mário Lúcio Alves Baptista e Gisele de Mattos Brito, integraram-se ao NPBH, e associaram-se à SPRJ. Em 2001 juntou-se a nós Maria da Penha Zabani Lanzoni, membro da SBPSP e pouco mais tarde, Edna Pires Guerra Torres, membro da SPRJ. Durante esse tempo, psicanalistas formadas já pelo Núcleo Psicanalítico de Belo Horizonte, foram qualificadas como membros associados, efetivos e docentes da SPRJ. Foram elas: Jannê de Oliveira Campos, Rosália Lage Martins Bicalho, Marília Macedo Botinha, Eliane de Andrade e Thereza Cristina Paione Rezende.
Finalmente, em julho de 2008, na reunião do BOARD da IPA, realizada em Porto Alegre, sob a direção de seu Presidente Dr. Cláudio Laks Eizirik, o Núcleo Psicanalítico de Belo Horizonte foi admitido como "Study Group" da IPA, passando a se denominar Grupo de Estudos Psicanalíticos de Minas Gerais. O Sponsoring Committee designado pela IPA para acompanhar o GEPMG foi formado pelo Dr. Luiz Carlos Mabilde (Chair) e pela Dra. Diana Vazquez Guijo de Canovi.
Essa nova etapa de desenvolvimento do NPBH ocorreu, em especial, pela iniciativa e pelo trabalho da colega Eliane de Andrade, auxiliada pelos colegas Sérgio Kehdy e Edna Torres, componentes da Diretoria do biênio julho 2006/2008, e incentivada, na ocasião, pela coordenadora Maria Eliana Helsinger.
Em agosto de 2009 teve início a formação psicanalítica da terceira turma de Belo Horizonte, pelo agora GEPMG, coordenada pelo seu Instituto de Psicanálise, e conduzida pelos psicanalistas aqui residentes, sob a supervisão direta da IPA, através de seu Sponsoring Committee.
Atualmente o GEPMG é composto de 10 Membros Efetivos e 12 Membros em Formação, e o Instituto de Psicanálise conta com 10 Analistas Didatas. A primeira turma de formação, do agora GEPMG, iniciou seus seminários clínico-teóricos em 07 de agosto de 2009, e conta com 10 participantes. Em agosto de 2012 terá início a segunda turma de formação, já avaliada e aprovada. Como é um grupo pequeno, a maioria dos membros pertence a alguma Comissão, e todos colaboram nas atividades internas e eventos científicos.
Com este quadro de membros e esta história, e com a chegada da nova turma, desejamos que o GEPMG se consolide definitivamente no cenário da psicanálise brasileira, como uma instituição forte e influente, em direção ao status de Sociedade Provisória, e finalmente de Sociedade.
GEPMG - Grupo de Estudos Psicanalíticos de Minas Gerais
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